segunda-feira, março 12

7-2007: A lenda do Gorrão Branco



Todas a terras têm as suas lendas.
Umas mais conhecidas do que outras, todas se enraizaram na cultura popular formando parte integrante de um conjunto de crenças mágico-religiosas que, até há bem poucos anos, condicionavam a vida das comunidades das nossas aldeias, exercendo sobre elas um poder sobrenatural e, ao mesmo tempo, funcionavam como uma espécie de marca de identidade.
Em Toulões, duas lendas marcaram durante anos a vida de toda a população, ao darem origem às tradicionais festas em honra dos santos padroeiros.
A da Senhora das Cabeças, que conta como uma praga de "galfanhotes" bateu em retirada após ter sido organizada, espontaneamente, uma procissão com a imagem da santa, fazendo assim funcionar o poder redentor da fé.
A outra, mais conhecida, (e que oportunamente aqui será lembrada) ganhou alguma notoriedade ao ser integrada no conjunto de lendas escolhidas para serem votadas no concurso "Lendas de Portugal", promovido pelo jornal O Século por volta de 1950 e que foi integralmente publicada por Manuel Antunes Marques, também um filho da terra, no seu livro "Etnografia de Toulões". Também o Dr Jaime Lopes Dias, grande etnólogo idanhense, na sua obra "Etnografia da Beira" Vol.1, contou esta lenda do rapaz que foi levado por um enorme lobo branco. Tendo sido acossado pelos melhores caçadores da região, o seu esforço saiu debalde. Sendo depois invocado o nome de Santo António, advogado para as coisas perdidas, o lobo apareceu morto, tendo o desfecho desta história originado a celebração de uma festa em honra do santo que se repetiu anos a fio, mas que nos dias de hoje só se realiza intermitentemente.

Ambas de índole religiosa, e fervorosamente respeitadas por todos, estas lendas não tinham menos significado que as lendas das mouras encantadas que habitavam as fontes e outros lugares antigamente dados a outros cultos, considerados por vezes "perigosos".
Se nos lembrar-mos da influência que exerciam no subconsciente das pessoas, histórias, como as que se contavam à lareira sobre a Boa e a Má-hora, sobre os poderes malévolos dos cá-vais ou sobre as histórias de lobisomens que apareciam à noite nas encruzilhadas a quererem estropiar quem se lhes atravessasse no caminho e que deixavam os mais novos com arrepios na pele e o cabelo eriçado de medo, podemos adivinhar o poder destas mouras que não podiam ser "acordadas" no seu lugar de repouso, sob pena de o atrevimento desencadear uma supersticiosa desgraça.
É famosa em Toulões a lenda da Fonte do Corno-quebra, ali entre a Toula e as casas do arraial do Monte Velho de Baixo. O touro que se dizia guardar a princesa moura que lá vivia, deu grande ajuda ao guarda do montado, demovendo muita gente de à noite se acercar daquela zona, quando se aventurava pelo meio dos azinheiros na expectativa de conseguir surripiar uns alqueirzitos de bolota para ajudar na engorda do bacorinho ou até para vender, a fim de arredondar a jorna.
As histórias de que o touro teria em tempos encorrido alguns destemidos, surpreendidos a escavar nas traseiras da fonte em busca do tesouro ali guardado, mantinham o lugar a salvo dos ladrões de bolota.
Uma lenda semelhante contava-se acerca do Gorrão Branco, uma enorme pedra de uma variedade de quartzo, (meio leitoso, meio sílex ?), com forma arredondada tal qual um vulgar seixo rolado. Diziam os pastores e outras pessoas que faziam vida no campo, que é provavelmente a maior pedra desta família de rochas existente por aqui e que, inexplicavelmente, aparece apartada das restantes no cimo de um cabeço.
Em tempos idos, quando extensas e ondulantes searas de sementes brancas, principalmente centeio, cobriam a Murracha dando fabrico a terrenos mais agrestes, a alvura daquele pedregulho descomunal, sobressaía na paisagem.
Acreditava-se que a pedra servia de porta, assente sobre a boca de um poço, no qual vivia uma moura encantada que aí guardava um valioso tesouro, composto por uma grande quantidade de pedras preciosas que, em tempos imemoriais, lhe teriam sido oferendadas em noites de lua cheia, por almas que acudiam ao badalar melodioso de um sino de ouro, em busca da salvação eterna.
Dizia-se que quem conseguisse descobrir a entrada do poço teria acesso ao tesouro e poderia usufruir dele da forma que entendesse.
Ligado a esta lenda ficou para sempre o Sapateiro da Malhadinha.
Numa época em que os trabalhos escasseavam, e os trabalhadores eram justos sazonalmente, a profissão de sapateiro dava-lhe, não só algum sustento, mas também alguma independência. Era sabido que não gostava muito de trabalho, mas principalmente, do que ele não gostava era de quem mandasse nele.
Ainda novo, fez-se aprendiz na perspectiva de se estabelecer na arte por conta própria.
E assim foi:
Ganhou alguma fama ao ter-se dedicado a fazer botas de cano alto com duas carreiras de ilhós que eram tão do agrado das mulheres e que, se calhar, hoje fariam furor na passerelle da Moda Lisboa.
Mas um episódio rocambolesco com umas botas encomendadas pelo ti Mandonça, a serem feitas com rasto de um pneu, uma novidade que vinha substituir as solas cardadas, que nunca apareceu e que valeram ao homem a alcunha que nem eu aqui quero dizer, deitou tudo a perder.
O descrédito e concorrência feroz de alguns sapateiros já credenciados como eram o ti Zé Tomaz "Sapateiro", ti Chequim "Grande", e o ti "Ferro" e de outros que apareceram depois, levaram-no a abdicar.
Depressa teve de mudar a agulha. Ganhar a vida a coser sapatos, não dava para chegar a netos e trabalhar mandado não era seu propósito.
Apesar de nunca ter deixado completamente a profissão, era mais o tempo que passava no garimpo, lá pelas barrocas da serra, do que agarrado à sovela.
O frasquinho com as pepitas da sorte, amealhadas e guardadas religiosamente, bem mais lucrativas, valiam uma boa maquia paga pelo ti Catchapim, um velho ourives de Alcafozes que, a cavalo na sua motorêta com a caixa das jóias amarrada ao suporte traseiro, percorria as redondezas, de aldeia em aldeia, pouco ou nada preocupado com problemas de insegurança, coisa impossível actualmente, mesmo neste recôndito reduto.
Talvez levado pela febre do ouro, a notícia do achado, por um ganhão, de um pote com moedas de ouro ali por trás da Serra, já a dar vistas para Monsanto, e as histórias algumas vezes ouvidas aos mais velhos a respeito de outros acontecimentos semelhantes, trouxeram-lhe à ideia a lenda do Gorrão Branco.
Consultado o lunário perpéctuo e os astros, o Sapateiro tratou de arranjar a ferramenta necessária para dar medida à sua desmedida ambição, e, no dia escolhido, lá foi, sorrateiro, pelo caminho da Serra até ao sítio por muitos temido e por outros tantos desejado.
Ao fim de uma semana de trabalho intenso já tinha cavado um enorme buraco junto ao gorrão, mas vestígios do tesouro: nada.
O Mné Rijo, que também garimpava nas horas vagas, dirigia-se à Barroca das Bruxas onde guardava os atrafícios do trabalho complementar, e causou-lhe alguma perplexidade ao avistar ao longe um monte de terra a fazer vulto ao simbolismo daquela pedra. Abeirou-se para ver o que estava a acontecer e surpreendeu o espalhafatoso do sapateiro em plena actividade, já enterrado até ao pescoço. Um pouco incomodado por ter sido descoberto naquela prebenda, ainda tentou esboçar uma justificação, mas o Rijo que conhecia bem a medida da sua ambição, atalhou logo:
-
Se queres trabalhar p’ra aquecer devias era ir a ratchar lenha e acender um lazarete. O que aqui cavaste já dava p’ra abrires um poço na tu’ horta, que bem falta te faz.
O sonho do tesouro do Gorrão Branco morreu ali, mas para o Sapateiro da Malhadinha, a enorme pedra não deixou de constituir uma china no sapato.
De descrédito em descrédito, na sua persistência engendrava expedientes para fazer face às agruras da vida.
Notava-se que passava por dificuldades mas não lhe falassem em trabalhar, que ele acabava sempre por recusar.
Vinha o verão:
- Atão este ano no fazes um quinto? – perguntavam-lhe.
- Ná. Ainda tenho uns pares de sapatos para gaspear. Odepoi, lá mai pr’o Inverno, vou atão a zêtona.
Vinha o Inverno:
- Atão no era pra andares já à zêtona.
E ele respondia: – Ná, este ano no fui, mas pr’o verão vou fazer um quinto.
A história repetia-se ciclicamente.

INTÉRPRETE PARA FORASTEIROS


atrafícios; utensílios, ferramentas
cá-vai; o mesmo que noitibó
china; pedrinha
encorrido; escorraçado
estropiar; patear, espezinhar, estragar
fazer vulto; fazer sombra, fazer passar para segundo plano, causar estorvo
lazarete; grande lume, brazeiro
quinto; ceifa de empreitada em que a "paga" era uma quinta parte da quantidade ceifada.

sábado, fevereiro 24

6-2007: A Vaca Galhana

A Vaca Galhana
(clicar sobre o desenho para ampliar)
Como o prometido é devido, aqui deixo o complemento referente ao post anterior e, à falta de foto, uma tentativa de ilustração do acontecimento que mobilizava as gentes de Toulões nos dias de Entrudo.
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Por entre uma infinidade de tradições carnavalescas que nos é dado conhecer nas mais diversas formas de divulgação, ou do conhecimento das tradições nas aldeias das redondezas, não há registo de nada que aluda à Vaca Galhana, que nos dias de Entrudo, tresmalhada pelas ruas do povo, investia à marrada contra tudo o que mexesse e balançava o seu rabo enchapoçado de água ou de lama, conspurcando a fatiota aos mais imprevidentes.
Pode mesmo considerar-se esta tourada trapalhona um acontecimento sui generis, que mobilizava toda a rapaziada (era uma brincadeira de rapazes), sendo diversos os que encorpavam o animal e se iam revezando. Alguns mais expeditos faziam gala em mostrar a sua arte no manobrar do engenho, símbolo de coragem e virilidade, enquanto outros mostravam os seus dotes a esquivarem-se do dito. Apesar do espalhafato que provocava e dos aparato que chegava a roçar a violência, tinha grande aceitação por parte de todos e era considerado o momento alto do Entrudo em Toulões.
Ninguém sabe quem é o pai da vaca. Sendo de origem desconhecida, pode dizer-se que o espírito que norteava o seu comportamento se assemelha ao dos Caretos, que, endiabrados, percorrem as ruas das aldeias Transmontanas. O nome advém, presume-se, da forma galhana (atabalhoada e mal composta), com que a vaca era manobrada no decurso deste insólito divertimento.
A Vaca Galhana era constituída por um par de varilhas, um par de cornos, que se guardavam de ano para ano, fixos solidariamente a uma das travessas (a que ficasse à frente), formando a cabeça do bicho. Os mais criativos penduravam um chocalho para assinalar a sua presença e para dar mais realismo à figura.
Na rabadilha atava-se um bocado de calabre, com um farrapo de saca na ponta, formando o tufo que constituía a ponta do rabo da vaca, considerado o elemento principal do arranjo, pois era dele, depois de bem ensopado, que dependia o sucesso das investidas.
Assim como por onde vai a agulha vai a linha, também por onde ia a vaca lá seguia o “rabejador ou aguadeiro” a fazer chegar o caldeiro do encharcado, para ensopar o rabo.
Como as ruas eram em terra, quando chovia, dispensava-se o caldeiro. Era nos charcos de água lamacenta formados no chão, que o rabo da vaca se enchapoçava e aqui o estrago mudava de monta. Para se proteger do seu próprio rabo, o manobrador usava uma saca pela cabeça, dobrada a fazer de capuz, que também lhe protegia as costas.

Contam os mais velhos que até princípios da década de 60, antes de se ter dado inicio à debandada, quase generalizada, da população mais jovem, na expectativa de encontrar noutras paragens melhores condições de vida, as ruas se enchiam de gente para correr a Vaca Galhana. Como naquela altura havia os partidos que rivalizavam entre si, aconteciam despiques que davam azo a que mais que uma vaca espalhasse a confusão pelas ruas, sendo, com alguma frequência, os encontros entre elas pretexto para ajustes de contas.
Diz-se que nesta ocasião no Entrudo se perdoa tudo, mas eram bastas as vezes em que o ditado não era seguido à letra.
Ficou célebre o episódio do Manhouvas, grande manobrador da Vaca. Deixando-se antecipar pelo Mné Ferrenho na hora de pedir namoro à Mari Blouca, vingou-se enchapoçando o rabo numa bosta com que as primas da Galhana costumavam perfumar o ambiente e lho deu a cheirar sem pedir licença. O Mné Ferrenho não foi de modas. Mais esperto, na primeira oportunidade retribuiu a delicadeza ao Manhouvas. Agarrou no caldeiro de vianda que a ti Catcheirinha tinha à porta, pronto a levar para a engorda do marranchito que tinha numa furda da malhadinha, e despejou-lho de chapeirão nas ventas.

Já houve que se lembrasse de fazer renascer a tradição, mas tratando-se de um divertimento que ficaria fora de contexto na época que corre, por em termos de higiene não ser o mais recomendável, a ideia não vingou. Visto com os olhos de hoje, as proporções de insalubridade e violência que atingia, parece desadequado, mesmo se às vezes punha em sentido a prosápia, a soberba e os afins.
Considerando as tradições como um dos principais factores de conservação dos laços de união entre filhos da mesma terra, também eu gostaria rever a Vaca Galhana, em moldes mais consentâneos com a nova realidade das aldeias, fazer de novo encher de gente as ruas de Toulões.
Temo, entretanto, que algum figurão, tipo político com ideias iluminadas que dá tiros no pé, se lembre de confundir o comportamento de vaca louca da Galhana com os sintomas da BSE e faça Toulões desaparecer de vez.

INTÉRPRETE PARA FORASTEIROS

enchapoçado; ensopado
encharcado; mistura pastosa insalubre
calabre;corda grossa e resistente utilizada para atar as carradas
marranchito; bacorinho
partido; grupo restrito de rapazes que organizava bailes privados, condicionando ou proibindo o acesso a elementos masculinos extra grupo, não convidados. Eram geralmente identificados pelo nome de um dos elementos com maior destaque ou pelo nome do tocador que animava esses bailes.
varilhas; armação feita com duas tábuas aparelhadas, unidas nas extremidades por duas travessas emalhetadas, que habitualmente eram utilizadas na peneira da farinha para o pão, apoiando-as nas abas transversais da masseira sobre as quais deslizavam duas peneiras geminadas num movimento de vai-vem.

sexta-feira, fevereiro 16

5-2007: Entrudo tchocalheiro

Malta dos tchouriços - 1982
O Entrudo sempre foi sinónimo de borga, pândega e folia desmedidas, perdendo-se no tempo a memória da sua origem.
Entrudo e Carnaval são duas palavras com etimologias diferentes mas que possuem o mesmo significado: o período entre o Domingo da Septuagésima e a Quarta Feira de Cinzas
O termo Entrudo terá origem na palavra "introitus" que em latim significa entrada, conotada com as festas Saturnalias que comemoravam o recomeço de um novo ciclo da Natureza, mãe de todas as coisas.
Entretanto, para o termo Carnaval parece não haver unanimidade de opinião quanto à sua origem. Para alguns deriva de "carnevalemen", (o prazer da carne); para outros terá surgido do latim "carnevale" (adeus carne), ideia reforçada pela cultura cristã que aparece a impor a celebração de um período de abstinência entre o Entrudo e a Páscoa a que se deu o nome de Quaresma.
Há ainda quem defenda que é proveniente das manifestações Gregas em honra de Dionísio, deus do vinho e da inspiração, nas quais o "carrus navalis" era o carro que transportava uma enorme cisterna com vinho para dessedentar os foliões que, depois de bem bebidos, cometiam os excessos "carrus navalescos" (digo eu).
O verdadeiro e genuíno Entrudo à nossa moda, à Portuguesa, provocador, desordeiro, onde a falta de respeito era tolerada até ao limite da paciência, do qual, por aqui, já pouco resta, foi destronado pelos hábitos telenovelescos com rainhas brasileiras ou abrasileiradas que, de corpo ao léu, abanam freneticamente as bundas ao ritmo do samba, nos corsos que percorrem as ruas das cidades do litoral sob a capa do desenvolvimento turístico.
Aqui por Toulões e demais povoações do interior, aliada ao despovoamento, a tradição do Entrudo foi-se perdendo, dando também lugar a uma inspiração moldada pelo modelo carioca e fomentada pelo facilitismo do acesso ao comércio dos 300.
Já lá vai o tempo das carantonhas feitas com uma renda roubada ao telhador do asado, que punha as calhandreiras, curiosas, a conjecturar e a especular sobre quem encorparia aquele traje de disfarce, constituído por uma roupa velha qualquer. E faziam-se apostas para ver quem conseguia percorrer as ruas da aldeia sem ser reconhecido.
Hoje qualquer conjunto de máscara horrorosa e fato a condizer, se adquirem nas lojas chinesas, mas que não valem uma "pêrra-tchica".
Era o tempo das cacadas, com vasilhas de barro roubadas dos quintais e muitas vezes despejadas do seu conteúdo. Com alguma malvadez inconsciente se vertiam as azeitonas, que tanto trabalho deram a colher e estavam agora a adoçar já quase no ponto de servir de conduto em muitas refeições, para levar a talha pela calada da noite, que oportunamente se iria estchabaçar no lajedo da entrada de uma casa cujo dono tivesse calhado na rifa dos entrudos.
Era também o tempo das batalhas com as inofensivas charingas de cana com que os garotos se borrifavam com jactos de água; com os pestilentos "ovos tchocos" que deixavam um cheiro entranhado na roupa não havendo sabonária que o desalojasse. Havia ainda a batalha das laranjas (laranjada) que tantas vezes deixava as raparigas com nódoas negras nas costas que, por essa razão, felizmente há muito desapareceu.
Desapareceu também a vaca-galhana que era o ex-libris do Entrudo em Toulões e que será objecto do próximo post.
Era também o tempo das zurras e das tchocalhadas, em que os jovens percorriam as ruas a tocar chocalhos e caldeiros, numa arruada de algazarra e desassossego que incomodava meio mundo, satirizando e ridicularizando o outro meio, parava à porta de quem durante o ano tivesse dado motivos para pertencer ao outro meio. Bastava não cumprir com os preceitos impostos pelos foliões.
Do tempo em que se apanhavam cães na rua, se lhes atava uma lata ao rabo e untava o cu com malagueta. Era vê-los fugir da lata rua afora, caim-caim, com o fogo atrás como um foguete e a lata a bater no cu. E quanto mais o cão fugia mais a lata no cu lhe batia.
Já lá vai o tempo em que no Domingo Gordo, à laia das janeiras, a rapaziada percorria as ruas do povo a "pedir os chouriços" de porta em porta. Cantavam-se umas quadras ao toque da concertina …
Ó senhora cá da casa
Chegue-se aqui à janela
Venha dar-nos um chouriço
Uma moura ou morcela.

E ai de quem se negasse a não recompensar este esforço dos rondistas, com uma peça do fumeiro, de preferência o "tchourcito" da ordem, mas um pão ou um pichorro de vinho também eram bem vindos para ajudar à comesana, que antecedia o "adeus à carne" num jejum de quarenta dias.
Com essa falta, uma cacada com cinza era quase certa ou então uma zurra à porta, ainda maior que a de ter deixado cair o porco do banco no dia da matança.
Por falar em matança, uma tradição de grande autenticidade e ainda fortemente enraizada nos hábitos da população é a de, no dia de Entrudo, se comer a bexiga dos ossos que, ao que parece, e fazendo fé no que vai constando, qualquer dia também desaparece por se estar a tentar proibir a matança do porco.
Seja como for, Entrudo ou Carnaval, será um acontecimento que continuará, ainda que de forma ténue, a marcar uma época do ano por estas terras.
Naquele tempo, todo este excessivo reboliço era tolerado pelo sistema de poder num manifesto abrandamento do exercício da autoridade, que parecia sempre mais atenta a comportamentos político-sociais que a manifestações festivas ou de divertimento.
Uma festa de liberdade, onde tudo é permitido e onde preceitos e bons costumes ficam esquecidos, o Entrudo, durando apenas três dias, acaba na Terça-feira à meia noite, morto à queima roupa, com tiros de caçadeira disparados pelos caçadores dos Toulões.

sábado, fevereiro 3

4-2007: Desmancho



É ponto assente que o aborto mexe connosco.
E não é para menos dada a importância que revela, estando em causa, decidir ou não, pela condenação de uma mulher por ter tomado a opção de abortar, porque, de algum modo, carrega uma barriga "prenha" de angústias, como se não pudesse dispor da sua liberdade.
Quanto ao que se pede na pergunta ao referendo, a informação que vai chegando, não sobre o que se pergunta em si, que é concreto, mas sobre o acto de abortar, vinda principalmente dos extremos que radicalizam posições, de tal foma, que criam um ambiente tão nebuloso que deixam o povo votante cada vez mais baralhado, levando-o a abster-se do interesse pelo assunto.
Com todas as questões de ética levantadas, o problema do aborto parece apenas um digladiar de argumentos entre a ciência e a religião, não esclarecendo sobre a verdadeira utilidade do voto nem nem sobre o problema fundamental: o bem-estar da mulher que decidiu abortar.
O aborto ou desmancho (termo que se utiliza mais por aqui) sempre se fez pela calada, utilizando os mais diversos métodos abortivos, todos tão perigosos e em condições que sempre deixaram marcas, tanto físicas como emocionais, pondo, quantas vezes, a sua vida, periclitante, nas mãos misericordiosas de Santa Quitéria.
As mulheres que decidirem abortar, deverão poder fazê-lo, dentro dos limites que a lei lhes confere, em condições sanitárias decentes, mas se
tiverem de o fazer fora da lei, que a espada, em cujo gume brilha o ponto 3 do artº 140º do Código Penal, não seja desembainhada para lhes cortar a dignidade.

domingo, janeiro 21

3-2007: A tornada



No Vale da Gama, um coito gerido por um dos irmãos Manzarra, o Frederico (o velho Fudrico, como a ele se referem todos quantos o conheceram), morou e trabalhou, durante anos a fio, quase meio povo dos Toulões. Formando lá uma pequena comunidade, esta gente, apesar das dificuldades que lhes estremunhavam os sentidos, desde que não caíssem no torpor, tinham a sobrevivência garantida.
À semelhança de outros crios ali nascidos, veio ao mundo o Tónho Louro. As vizinhas que atenderam a mãe no parto, para dar vida própria ao rebento, confiaram no espírito de entreajuda, na experiência ganha de outros sucessos e na providência do destino, traçado pela natureza para este acto que enobrece a mulher.
Também ali lhe brotaram os primeiros dentes, agarrado a uma côdea de casqueiro e deu os primeiros passos "aqui caio, ali m’alevanto". Uns anos mais tarde, empenhado, foi à escola, a marcar passo com outros garotos do coito, na légua que serpenteava o montado entre Toulões e a casa que o viu nascer. A professora Vivina só lhes encontrava a falta naqueles dias de invernia, em que as grandes enchentes, com aquelas águas revoltas atormentadamente assustadoras, tornavam a Toula intransponível ou, então, quando, no tempo dos ninhos, o arrulhar das rolas chamava por eles como uma harmoniosa melodia de encantar.
Aos onze anos entrou de pastor. Com afinco foi dando conta do recado, tanto na guarda do rebanho como na defesa das pastagens, ficando célebre um episódio em que, sozinho, encorreu à pedrada dois pastorzecos das redondezas, que teimosamente queriam meter o gado em terrenos do Vale da Gama que ele defendia como sendo o seu território, bem demarcado, com limites à laia de um verdadeiro predador.
Esta passagem valeu-lhe o reconhecimento do patrão que ao fim de pouco tempo o promoveu a vaqueiro do gado da boa vida, dedicando-lhe mesmo uma sábia tirada: "a silva que forte há-de ficar, logo de pequena quer picar."
Ainda imberbe, o trabalho foi-lhe dando lições de maturidade. Como todos os jovens, ao atingir a idade em que a razão ainda vacila e a afirmação é dominada por um grosso, mas inseguro, "eu já sei", ia formando as suas próprias ideias sobre a vida, assumindo sempre estoicamente a responsabilidade pelos seus actos.
Em suma: ia-se tornando homem.
A sua dedicação valeu-lhe uma recompensa, mesmo antes de fazer dezassete anos. Teve a possibilidade de, pela primeira vez, cumprir o sonho que aos poucos vinha realizando em pequenas tarefas: lidar uma junta de bois como um ganhão de verdade.

Eram vésperas de Natal.
Recebeu ordem do ti João Carralo, moiral e homem de confiança da casa Manzarra, para carregar uma tora de lenha grossa e a levar à Idanha a casa dos patrões.
- Ó Tonho, levas essa lenha e na tornada trazes as comedias. E aprofila-te como é dado mê homa, se queres guardar a consideração q’o patrão tem pro ti!
Era verdadeiramente o primeiro trabalho em lhe era dada total autonomia. Apesar de alguma apreensão não denotou sinais de insegurança.
Os bois?, falava com eles e o caminho?, conhecia-o de cor pelas vezes que andou com os ganhões-de-ano na acarreja da cantaria, aquando da construção dos poços e das regadeiras da horta do Carrascal em que a pedra era toda arrancada, aparelhada e acarinhada, por uma afamada família de canteiros, os Mouras, no Barrocal, logo ali nos arrabaldes da vila.
Decorria um Inverno engadanhado. Para não se enregelarem como as talhadas de granito que formavam a carrada, acendiam-lhe o lume em cima e com a lenha que iam apanhando à beira do caminho, mantinham acesa a calorosa chama que os reconfortava.

Lá fez a viagem sem percalços.
Chegou, foi desaguar os bois e dar-lhes algum descanso e, descarregados os madeiros, sentou-se na coiceira do carro a merendar.
Após um breve descanso acondicionou as sacas de trigo e feijão pequeno, assim como dois potes de zinco, a transbordar de azeite, que formavam as comedias.
Na hora de regressar, foi de chapéu na mão, num hábito tradicional de respeito, despedir-se e desejar Boas Festas aos patrões e também receber as costumeiras broas do Natal.
Apesar de alguns laivos de severidade e alguma injustiça para com os seus trabalhadores, nesta altura festiva o velho Fudrico dava largas à sua generosidade: cem mil réis a cada uma das famílias, era um festim.
Ao receber a bolsa do dinheiro das mãos do patrão, este não se ficou sem lhe dar um imperativo conselho:
- Vais p’la estrada! A carga de água que aí vem é capaz de te levar c’o diabo! Ainda te atolas no caminho e não tens quem te acuda".
Este aviso, de quem conhecia as voltas do tempo, pereceu não o convencer. A serenidade com que fizera a viagem pela manhã e a sua convicção, auguravam-lhe confiança para a tornada.
Jungiu os bois à canga e engatou-os ao carro. Verificou o nó das cornais e, com a palma da mão, deu duas pancadas no chavelhão que engancha o tamoeiro para se certificar de que tudo estava conforme.
Fez-se ao longo caminho que o esperava e se estendia ao longo de umas seis horas bem medidas, cadenciadas a passo de boi. Desceu a íngreme barreira da Idanha, com os animais em esforço a ampararem o peso do carro, atulhado a passar o meio fugueiro. Com os canêlos já polidos a resvalarem na inclinação do macadame da estrada recém construída, austeramente aspergida de asfalto, os animais tinham alguma dificuldade em progredir. Por falta de estabilidade nas patas, procuravam apoio encostando a lombeira ao tiro do carro mantendo assim o equilíbrio.
O Tónho, vara ao ombro como os velhos ganhões, seguia devagar à frente da junta, cortando-lhe o ímpeto na procura de lhe travar o ritmo do passo, evitando que desalvorasse por ali abaixo.
Até chegar ao fundo da barreira e atravessar o rio, era uma angústia. O alívio só chegou pouco antes de entrar na pequena ponte com guarda corpos em granito, que galga o Ponsul, parecendo estar estrategicamente colocada para encanar os desgovernados para a entrada da capelinha da Senhora da Graça, que com a porta escancarada, parece estar de braços abertos para os receber.
Ultrapassada aquela quase abismal dificuldade o Tónho deslumbrava-se com a estrada nova. Nas zonas planas, apesar da marca ondulante deixada pelos rodados do carro, vergado pelo peso da carrada, o rolar suave e o passo certinho dos bois, dava a ideia aparente de que a junta puxava em poupança de esforço. Mal se sentia o chiar do carro, num som abafado pelo couro do toucinho que lubrificava a as zonas de atrito entre o ferro seco do eixo e o casquilho metálico da chumaceira, coroada pelo azinho das rodas de onde ramificavam os raios.
O velho Fudrico estava certo. Era muito melhor ir pela estrada.
Mas à passagem pelo leque da Senhora do Almurtão, o seu subconsciente, num incentivo à irreverência, parecia dizer que havia um senão: ir pela estrada até ao Vale da Gama era quase uma volta dobrada e, além disso, os canêlos dos bois agradecem mais a macieza da terra batida dos caminhos do que a rispidez do cascalho apenas agregado pelo alcatrão.
Tomando o peso às vantagens e desvantagens, não hesitou em contrariar a vontade do velho patrão e, rumando pelo caminho que conhecia como a palma das mãos, seguiu confiante.
O céu ficou brusco de repente, formando enormes castelos de nuvens que não tardaram a ruir. Atormentou-se um pouco quando a chuva começou a endurecer antes de chegar ao Aravil, temendo que a enchente lhe barrasse o caminho.
Mas chegou a tempo. O Torrado e o Morgado, já com a água quase pela barriga, ultrapassaram facilmente o obstáculo e lá foram para diante.
À passagem pela Herdade da Zebreira, já mesmo a chegar à ribeira da Toula, o caminho ligeiramente encovado estava completamente inundado. Não arriscou passar por aquela água barrenta que frequentemente esconde ratoeiras e deu de roda ao charco, atalhando com a junta por um alqueive.
Não andou dez metros. O carro enterrou-se até às chedas. Ele bem puxou a auxiliar os bois e bem lhes impulsionou a força bruta, aferroando-os na carne viva das massas, mas o esforço foi em vão. O tabuleiro do carro assentou no atoleiro e ali ficou estatelado, desmaiado, com a carga inteirinha das comedias a apararem toda a água que Deus mandava. A sua valentia esvanecia-se naquele lamaçal.
O Tónho não ignorava a sua consciência. Eram estas as ocasiões que marcavam a diferença entre os homens experientes e os rapazes. Arrependia-se por não ter dado ouvidos ao patrão e pensava nas possíveis represálias. A desobediência podia valer 15 dias de castigo ou até o despedimento, mas com alguma sorte ele nem se chegaria a inteirar.
A noite invadira a redondeza e a chuva continuava diluviana.
Não havia mais nada a fazer. Desengatou a canga, enleou o tamoeiro ao chavelhão e tocou os bois que, encangados, se meteram à água, vencendo aquela torrente de energia desenfreada e desapareceram na escuridão, seguindo, guiados pelo instinto que lhes ensinava o caminho da manjedoura.
O Tónho só soube que atravessaram a ribeira por lhes ouvir o chocalhar das campainhas já do outro lado.
Impossibilitado de prosseguir, só lhe restava uma solução: ir até ao único ponto de ligação entre as duas margens que havia em toda a redondeza que era a horta do Domingos da Preta, mas até lá ainda era uma valente trota.
A custo, lá chegou. Atravessou cautelosamente o pontão e deteve-se por um instante para escutar o infernal cantar das águas em sobressalto. Um arrepio assovinou-lhe a espinha ao lembrar-se do susto que apanhou, daquela vez que num descuido, o Carreirinhas ia sendo levado na enxurrada. A força e coragem foram a sorte dele, senão, talvez aparecesse no dia seguinte, hirto e já inchado, preso numa galhada de salgueiro ou nos braços arpoados de uma silveira.
Deixara de chover. Tentando orientar-se na escuridão, rodeou o vulto do cabeço dos Malhadis, retomou o caminho com passo mais apressado no encalço dos bois, mas o atraso era enorme.
Quando chegou ao arraial do Vale da Gama, altas horas, já o pai, que andava de alevanto, lhe tinha acautelado a junta e se preparava ir à sua procura.
Nem ceou. Comeu duas filhozes que a mãe acabara de fazer e foi-se deitar ao palheiro onde dormiam os rapazes.
No dia seguinte levantou-se cedo, como todos os dias, esquecendo-se por completo que era dia de Natal.
Enquanto todos se preparavam para ir aos Toulões beijar o menino Jesus, o Tónho Louro foi ter com o moiral para lhe dar explicações do sucedido e pedir uma segunda junta e um cambão, para ir desatolar o carro das comedias.
O ti João Carralo, por na sua juventude ter passado pelo mesmo, foi compreensivo, mas não deixando passar a ocasião, perguntou-lhe:
- Atão o patrão no te disse pra vires pla estrada?
INTÉRPRETE PARA FORASTEIROS
acarreja; transporte contínuo em comboio
andar de alevanto: levantar-se de noite por razões que preocupam
aprofila-te; de aprofilar-se – arranjar-se, preparar-se, ter maneiras
aqui caio, ali m’alevanto; expressão que significa também passar por dificuldades
assovinar; espetar, picar
barreira; inclinação de terreno; caminho inclinado
broas; gratificação que complementava o salário em ocasiões especiais.
brusco; nublado
casqueiro; grande pão
chedas; partes laterais do carro de bois onde se fixa o eixo
crios; crias humanas, bebés
desaguar; dar de comer aos animais para os recompensar de uma tarefa
encorrer; escorraçar, afugentar
engadanhado; com dificuldade de movimentos nos dedos provocada pelo frio
coiceira; parte do carro que se situa atrás do animal
gorrão; pedra de seixo
tora; grande quantidade retirada de um todo
tornada; viagem de regresso

terça-feira, janeiro 16

2-2007: Em banho-maria

O post de hoje é uma alternativa ao que, por falta de tempo e também alguma preguiça, confesso, me impediu de o dar por terminado.
Como dizia a ti Grencha, uma velhinha que foi forneira até ao fim dos seus dias, quando alguém reclamava pelo atraso na saída da fornada:"O qu'é que q'rendas? Sou sozinha. No posso andar à lenha na serra e estar a meter o pão ao forno".
Pela mesma senda andava um amola tesouras que por aqui vinha. Assobiava naquela "flauta de pã" em plástico e apregoava "pregar" gatos em pratos de porcelana partidos, reparar guarda-chuvas e também capar leitões. Quando o trabalho apertava, não se podendo dividir nas diversas tarefas, clamava:" Calma lá! Enquanto se capa não se assobia".
Assim sendo, para não defraudar os amigos que aqui vem na espectativa de encontrar um estória nova, deixo-lhes esta foto como prova de que o cozinhado está a andar.
Um abraço e até breve!

domingo, janeiro 7

1-2007: O Ano entrou frio

A geada por aqui tem várias desigações:
ruça, códão, carambina ...

Em primeiro lugar desejo um Bom Ano a todos!

De regresso a este cantinho do convívio virtual, não resisto a mostrar duas imagens de um tempo triste que marcou o período entre o Natal e o Ano Novo, salvo pelo calor da família.
Os primeiros dias do ano foram amenos, mas as noites geladas. Pela manhã os campos apresentavam-se assim, cobertos com uma capa branca. Tamanha geada já há anos assim não via por aqui.
Como diz o ditado: calças brancas em janeiro é sinal de pouco dinheiro.
Vale isto para dizer que a malta, sem agasalho adequado, armados em heróis, de peito aberto a enfrentar este frio que, ao mínimo descuido, leva qualquer um a ficar de molho.
Foi o meu caso. Apanhei uma mormeira tão valente que me deixou atafonado por uns dias.
E quando uma pessoa vem à rua limpar do catarral, ainda gozam.
- Tchegas aqui, apanhas logo tudo o que vês e odepoi queixas-te. Atão tu no sabes qu' im apanhando c'uma ruça destas, um homa já se vai abaxo?
Mas quem por aqui vive e sofre na pele a dureza desta intempérie, trazida pelos ventos que perpassam a Serra da Estrela e a da Gata (espanhola), sobretudo durante a apanha da azeitona, a este frio reconhece-se-lhe enorme utilidade em muita coisa: retempera as carnes do fumeiro, amacia e estabiliza o vinho na adega e, quando a geada entra na camada superficial da terra, é um excelente pesticida para dizimar a bicharada que ataca as culturas.
Também há quem diga que o frio intenso proporciona o aconchego dos corações.

quinta-feira, dezembro 14

33-2006: BOAS FESTAS



O dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, é, por tradição na zona raiana, o dia em que os jovens, que esse ano vão às sortes, arrancam o MADEIRO do NATAL.
Em Toulões a azinheira mais grossa que houver no montado, graciosamente cedida pelo proprietário, é arrancada pelo pé .
O madeiro é depois enfeitado à entrada da aldeia, transportado pelas ruas para ser mostrado à população, e descarregado no adro da igreja, onde será "apichado" na noite de consoada para aquecer a alma a quem dele se acercar e onde ficará a arder até ao Ano Novo.
Com a proibição do arranque de azinheiras por motivos ambientais (apenas é permitido o seu abate indiscriminado para abrir clareiras no montado a fim de fomentar a construção de aldeamentos de luxo como forma de fixar as populações ao meio rural) este ano o MADEIRO do NATAL foi pobre.
Em compensação, os jovens de Toulões construíram uma enorme árvore de Natal (conforme mostra o postal) amiga do ambiente e da qual foi feita uma réplica em menor escala que pode ser visitada no Terreiro do Paço em Lisboa.
Estarei de volta depois do Ano Novo
Até lá, um abraço a todos e votos de BOAS FESTAS.