domingo, maio 13

11-2007: O segredo de Fátima

Foto tirada no Santuário da Sra. do Almortão (2006)

São públicos os valores respeitantes aos fabulosos lucros obtidos pelos Serviços do Santuário de Fátima, com uma grande fatia proveniente das dádivas dos fiéis. Talvez por esta razão, desde o ano 2000, tenha sido tomada a decisão de não guardar segredo sobre o assunto, tornando transparente o "Resumo das Contas" e sendo mesmo dada a possibilidade aos peregrinos contribuintes, de pedirem cópias do relatório, um pouco contra a vontade do Vaticano que, segundo alguma imprensa, manifesta alguma apetência pela gestão dos dinheiros gerados pelo "Altar do Mundo".
Todo o movimento que gera estas avultadas receitas, gera igualmente uma enorme quantidade de postos de trabalho no comércio e turismo locais, contribuindo directa ou indirectamente para a grande revitalização da economia de uma zona que inicialmente parecia destinada a ser apenas um lugar de meditação, quase deserto, que em trinta anos passa de aldeia a cidade, contrastando com a interioridade raiana cada vez mais acentuada.
A 13 de Maio de 1967, aquando da comemoração do cinquentenário das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos, com a presença de Sua Santidade o Papa Paulo VI, que aqui se deslocou para rezar pela paz no mundo e em simultâneo pela unidade da Igreja. Nesse dia, no Santuário da Cova da Iria, a escassos quilómetros da aldeia de Fátima, estiveram presentes milhares de peregrinos, vindos de todos os cantos do país, incluindo alguns de Toulões que aqui chegaram "sabe Deus como".
Se tivermos em conta as dificuldades de comunicação, de acesso viário e a escassez de meios de transporte nessa altura, adivinhamos as dificuldades e os sacrifícios que a fé ajuda a ultrapassar.
Hoje, derrubadas estas barreiras, chegam anualmente cerca de seis milhões de fiéis ao Santuário da Cova da Iria, considerada "terra mística de procura incessante de fé, porto seguro de todos aqueles que procuram luz, harmonia e paz" que, aproveitando a visibilidade proporcionada pelo evento, (é mostrada ao mundo como um lugar pacato que beneficiou da bênção divina dada a esta região desde 1917) se torna num pólo de desenvolvimento do turismo religioso por excelência, apesar de se dizer que a Igreja se encontra numa manifesta crise de Fé.
Quando em 1967 um rebanho humano apraiou por estas terras áridas, talvez a ninguém lhe palpitasse que passados dez anos esta aldeia de pastores fosse elevada a vila (19/7/1977) e muito menos que, vinte anos depois (em 4/6/1997), a Assembleia da República elevasse a vila de Fátima à categoria de cidade.
Em termos de desenvolvimento, quer económico, quer urbanístico, a evidente ascensão desta localidade não terá sido um milagre, mas olhando com alguma superstição para as datas dos acontecimentos, reparo que o algarismo 7 é constante em todas elas.
Neste ano que corre (2007) nada parece acontecer relacionado com o facto, mas em 2017, coincidindo com as celebrações do centenário das aparições, é bem provável, (e fica aqui o meu vaticínio) que se dê a coincidência de haver festa rija para comemorar a elevação da cidade a concelho.
-Talvez estejamos perante um dos segredos de Fátima?

sexta-feira, abril 27

10-2007: Trabalhos de Maio

Cabo Ruivo - Lisboa 1958
Construção de um empreendimento industrial
Foto de autor deconhecido

Passadas as celebrações do 25 de Abril, trinta e três anos depois, os cravos da Liberdade parecem definhar a cada ano que passa.
E não é de admirar! Basta ver o respeito que algumas entidades públicas guardam pelos valores de Abril. Como exemplo, a pontaria da presidência da CML, na escolha da data de inauguração da polémica obra do túnel do Marquês, talvez perspectivando lá poder enterrar os poucos cravos que ainda mantêm algum viço, ou então esconder os rabos de palha de algum manjerico sob suspeição, enquanto o desfile comemorativo da efeméride lhe passa por cima.
Bom, mas vamos ao início!
Em 1974, para a maior parte da gente das aldeias do interior raiano, o anúncio do fim da ditadura teve o mesmo impacto que tivera o 5 de Outubro de 1910 com a queda da Monarquia e a implantação da República ou, mais recentemente, o primeiro passo em solo lunar por parte do americano Neil Armstrong, ou seja: impacto nulo a que nem se pode chamar indiferença nem incredulidade.
A mente da população, mantida na ignorância, era impedida de alargar horizontes para lá das fronteiras do seu termo e compreender o 25 de Abril, foi uma árdua tarefa que chegou a conta gotas.
Ninguém tinha consciência política e o único governo que conheciam era apenas o seu próprio governo. Aquele com que geriam o ganha-pão para o sustento da casa e da família.
Dos governantes que conduziam os destinos da nação apenas conheciam os que zelozamente pairavam pendurados sobre o quadro negro da escola, representados pela nova Santíssima Trindade: Jesus Cristo redentor, ministro de Deus, crucificado para salvar o Mundo, auxiliado na sua laboriosa gesta pelo chefe do governo ao momento, um homem austero, que adorava seroar em família, permanecia, tal como o seu antecessor, orgulhosamente só, pendurado à direita de Cristo Pai.
Do outro lado, estava dependurado o chefe do estado. Enfaixado, olhando fixamente para a parede em frente com carranca de poucos amigos, fazia do uso da tesoura o seu modo de evitar a inépcia.
O país desandava a pão e vinho e cantava-se o fado da "sardinha para três", que contava a história da miséria, num tempo em que o fraco sustento dependia de uma economia enfezada, proporcionada por uma decadente agricultura tradicional, caracterizada pelo uso de velhos métodos que não acompanharam a evolução surgida na Europa depois da Segunda Guerra, só atenuada após o aparecimento da metalurgia do Tramagal.
Para escapar deste quadro dantesco, muita gente nova foi levada a procurar outro modo de vida em terras do litoral, principalmente em Lisboa.
Chegada a idade para trabalhar, aí com 11 ou 12 anos, muitos garotos eram despachados "a escorregar, tábua abaixo" (como dizem alguns alfacinhas invejosos do que o seu suor produziu) até à capital, para servir de mocinhos de recados e de caixeiros em lojas e mercearias.
Os mais velhos, já com a tropa feita, candidatavam-se a incorporar os contingentes das forças de segurança, os sapadores bombeiros, que lhes garantiam um emprego com condições dignas para poderem ajeitar a vidinha.
Para os que não conseguiam ou para aqueles a quem o trabalho não correspondia às expectativas, sobrava a construção civil. Trabalho mais duro, é certo, mas não menos honrado e com um horário que nada tinha a ver com o sol-a-sol das jeiras agrícolas.
Mas alguns Toulonenses que tentaram a aventura lisboeta, sentiram-se atraídos pela envergadura das chaminés fumegantes que rasgavam o horizonte sobre as águas do Tejo, avistadas do outro lado do rio mesmo em frente ao Terreiro do Paço.
Era o sinal da industrialização que transformara o Barreiro, outrora terra de fragateiros, num dos maiores pólos de desenvolvimento do país e que dava pelo nome de Companhia União Fabril.
A CUF clamava por braços de trabalho e foram estes homens de mãos calejadas que formaram a grande mole operária, que de trabalhadores rurais rapidamente passaram a operários fabris de uma indústria que florescia num desabrochar primaveril, prontos a limpar da memória o grito justo de revolta contra o estampido do chicote dos feitores.
Chegados à grande urbe, esta deu-lhes a conhecer uma nova realidade: a luta operária na defesa de melhores condições de trabalho, coisa que na ruralidade raiana, nunca entrara em sonho nenhum.
Alguns mais deslumbrados, depressa se viram enredados na entusiasmante malha ideológico-partidária e no consequente trabalho de campo de fazer chegar a todos os que partilhavam dos mesmos ideais a informação que uniformizava o pensamento e que tornou a CUF no principal bastião da luta proletária.
Vieram as reuniões secretas às tantas da noite no Pinhal do Forno, para os lados de Alhos-Vedros, ou no Pinhal do Castanho nos arrabaldes da Baixa da Banheira, onde ouviam as palestras dos "cabecilhas", alguns com experiências trazidas de outras reuniões clandestinas, organizadas nos montados do Couço e outros lugares do Alentejo.
Ali se vinham ouvir notícias do mundo operário que ajudavam a delinear estratégias de combate laboral.
O ti Sebastião, funcionário da CUF quase desde a sua fundação, Toulonense que nunca se negou a dar a mão a um conterrâneo, fora sufragado pelo destino para tomar conta da telefonia. Colocava um o copo com água sobre o aparelho para afogar as frequências denunciadoras antes que chegassem aos detectores da Legião, que formava acérrimas milícias anticomunistas.
E foi numa noite de 1 de Maio que, através da onda curta da Rádio Moscovo, chegou solenemente pela voz de um ex-colega do ti Sebastião, Francisco Ferreira (Chico da Cuf), exilado na URSS, a mensagem, palavra de ordem, proclamada cerca de cem anos antes por Karl Marx:
PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

sábado, abril 14

9-2007: As alvíssaras

A nomeada da Senhora do Almortão (ou do Almurtão) expande-se muito para lá da campanha da Idanha, tal como referem algumas quadras da cantiga. O ecoar do seu "cancioneiro" chega aos quatro cantos do país, recriado pelo talento de grandes nomes do nosso panorama musical, trazendo alguns benefícios na implementação do turismo nesta região.
Vultos como Zeca Afonso, Amália Rodrigues, Dulce Pontes, Janita Salomé, e outros, dando voz ao tema da Sra. do Almortão, encantados com a sua musicalidade, tornaram ainda mais célebre esta ária considerada o hino do município de Idanha-a-Nova.
Muitas vezes, inadvertidamente, dávamos connosco a cantarolá-la, um pouco à maneira de como, em grupo na escola, se estudava a tabuada em voz alta: "Todos sabíamos a música de cor, mas alguns tardavam a acertar com a letra".
Se a Senhora do Almortão (a cantiga) é conhecida pela quase generalidade dos portugueses, pela simplicidade de três ou quatro quadras que unanimemente foram escolhidas pelos cantores atrás referidos, das quais se destaca uma, talvez a mais conhecida, tida como uma sentimental manifestação do patriotismo raiano, pedindo à "tão linda arraiana para virar costas a Castela e não querer ser castelhana", poucos saberão que esta canção não tem letra definida.
Todos os anos, novas quadras de cariz popular, muitas delas improvisadas num despejar de alma, são cantadas por vozes anónimas, principalmente por mulheres devotas dos povos das redondezas dando vida nova à cantiga.
Acompanhadas por concertinas, realejos, zamburras e pelo rufar ritmado dos adufes que elas próprias (as agora designadas Adufeiras) tocam de forma tão exímia, com essas novas quadras cumpria-se a tradição de "dar as alvíssaras à Virgem do Almortão", como que a fazer anunciar a chegada do "rancho" à romaria, para venerar a santa padroeira do concelho.
A criatividade dessas quadras, juntamente com a actuação dos romeiros no alpendre à porta da ermida, chegaram mesmo a ser apreciadas por um júri, com vista a premiar os melhores desempenhos, tendo havido anos de grandes despiques entre aldeias, para ver qual delas ganharia "o ramo".
Esta tradição também era naturalmente cumprida pelas gentes de Toulões.
O canto de um grupo de mulheres, às vezes esganiçado, mas sempre afinado por uma fé inabalável, mesmo abafado pelo som dos diversos instrumentos que as acompanhavam, convenceu o júri a atribuir-lhes o simbólico troféu, que eu me lembre, por duas ou três vezes.
Era ainda a altura em que os cantares eram ensaiados durante a viagem em grupo, feita em carros de vacas, carroças engalanadas, burros e cavalos albardados com adornos garridos em que se parava a meio percurso para almoçar e dar também repasto às bestas.
Pelo caminho afinavam-se as gargantas. As mulheres cantavam para decorar os versos novos e os homens, incluindo os tocadores que pouco ou nada cantavam, também afinavam as suas, mas era mais com a "borracha" do vinho à laia espanhola.
Para a maioria destes, o "ir dar as alvíssaras" era uma quase obrigação num toca a despachar porque na festa há outras prioridades.
Terminada a intervenção, empinados à porta da capela, os homens empontavam as mulheres com a canalha e, acompanhando os tocadores, iam eles dar a volta às capelinhas e ler umas epístolas, balcão aqui, balcão ali. Os cânticos a Nossa Senhora depressa descambavam em despiques à desgarrada entre romeiros de diversas freguesias, sempre ao toque da concertina.
Até à hora da missa campal e da procissão que se lhe segue não havia regra.
Mesmo para alguns, só a derradeira morteirada da descarga pirotécnica a assinalar o final da procissão, que para as mulheres significa o recolher de Nossa Senhora à ermida e para os homens o recolher dos romeiros à sombra onde os espera uma merenda bem farta, punha termo ao sempre a aviar.
Contava-se a história de tocador "afamado", ainda com a figadeira a destilar os excessos dos três dias de festa em Toulões em honra da Senhora das Cabeças, que se realiza nas vésperas da Sra. do Almortão, para além de carregar com a concertina carregava também com uma valente borratcheira.
Quando quis recolher ao local onde tinha a merenda, para ir mais leve, foi aliviar a carga nas traseiras do muro que circunda o recinto. Já sem força nas pernas, aí ficou de joelhos um bom catcho numa penitência involuntária, com corpo sobre a sanfona e o chapéu caído por terra perante um ror de gente num constante formigar.
Na hora da abalada, depois de mais uma volta pelo recinto para comprar as últimas lembranças aos que não puderam vir à festa, o "rancho" preparou-se para a cantadela na apresentação das despedidas à santa, mas do tocador não havia rasto.
Encontrado em maus preparos e com a cabeça ainda pesada, a custo lá se levantou.
Rabugento, apanhou o chapéu do chão e qual não foi o seu espanto que, ao pô-lo, tilintaram-lhe umas quantas moedas na careca. Uma esmola de dez ou quinze marréis fora deixada por alguns fiéis mais caridosos que o confundiram com um mendigo.
Lá se compôs e foi com o grupo cantar o "até pró ano". Ele, que raramente cantava, embalado ainda pela desgarrada de umas horas atrás, saiu-se assim:
Senhora do Almortão
Ajoelho-me a vossos pés
Bem-haja por esta esmola
Que vale bem uns copos de três

Bem, esta quadra não pertence certamente à recolha feita por alguns ilustres idanhenses, estudiosos do fenómeno poético dedicado à Senhora do Almortão, mas, agora que já vos oiço a trautear a cantiga, aqui vos deixo umas quadras de Toulões, (que poderiam bem ser de outra terra qualquer do concelho), para poderdes cantar no dia 23 de Abril (de segunda feira a oito dias) já que este ano eu não vou poder lá estar.

Senhora do Almortão
Este ano já trago noivo
Venho-vos agradecer
Com estas flores de goivo

Refrão (substitui o bem conhecido "olha a laranjinha...")
Vai de fogo e mus’ca
Q’arrail tão lindo
Ai, velhos e novos
Tudo lá vai indo
Vai devagarinho
Sem alevantar pó
Trai-lari-lo-lela,
Trai-lari-lo-ló

Senhora do Almortão
Já passei o Aravil
Levo-vos rosas brancas
No regaço do mandil

(refrão)

Senhora do Almortão
Nossa Santa padroeira
Vimos enfeitar-vos o andor
Com rosinhas de albardeira

(refrão)

domingo, abril 1

8-2007: BOA PÁSCOA



Ainda ontem era Entrudo e já passaram os 40 dias que permeiam entre a Quaresma e o Domingo de Ramos. O Domingo Florido, como o ti Chico-à-Rolha, sacristão, pelo menos três quartos da sua vida, lhe chamava, dá início às celebrações liturgicas da Semana Santa que culminam nos festejos da Páscoa.
Este dia volante, estipulado pelo calendário gregoriano com base num método de cálculo que o ti Chico conhecia de cor, serve de referência para a marcação de todos os feriados eclesiásticos.
Esse método, revelado aqui, permitia-lhe anunciar ao povo a data em que calharia a Páscoa no ano seguinte.
Posso adiantar, em primeira mão, que para o ano é no dia 23 de Março e é, garantidamente, a um Domingo.
Pelo menos é o que diz o calendário para 2008.
Bom, mas mais importante que os 40 dias, voláteis como o éter, foram os 365 e mais alguns, que depressa passaram desde o nascimento deste blogue.
Tão depressa que nem eu me apercebi do completar deste primeiro ano a contar algumas histórias, simples exercícios de memória, que, apesar de isentos de qualquer rigor histórico ou sociológico (isso fica para os especialistas), com eles tento mostrar como era a vida numa aldeia rural da Raia Perdida.
A marcar a passagem deste primeiro ano, quero aqui deixar, bem expressa, uma palavra de agradecimento a todos quantos tão amavelmente me vão deixando mensagens de incentivo, tanto nos comentários como no email.
Votos de uma Páscoa feliz para todos!!!!

segunda-feira, março 12

7-2007: A lenda do Gorrão Branco



Todas a terras têm as suas lendas.
Umas mais conhecidas do que outras, todas se enraizaram na cultura popular formando parte integrante de um conjunto de crenças mágico-religiosas que, até há bem poucos anos, condicionavam a vida das comunidades das nossas aldeias, exercendo sobre elas um poder sobrenatural e, ao mesmo tempo, funcionavam como uma espécie de marca de identidade.
Em Toulões, duas lendas marcaram durante anos a vida de toda a população, ao darem origem às tradicionais festas em honra dos santos padroeiros.
A da Senhora das Cabeças, que conta como uma praga de "galfanhotes" bateu em retirada após ter sido organizada, espontaneamente, uma procissão com a imagem da santa, fazendo assim funcionar o poder redentor da fé.
A outra, mais conhecida, (e que oportunamente aqui será lembrada) ganhou alguma notoriedade ao ser integrada no conjunto de lendas escolhidas para serem votadas no concurso "Lendas de Portugal", promovido pelo jornal O Século por volta de 1950 e que foi integralmente publicada por Manuel Antunes Marques, também um filho da terra, no seu livro "Etnografia de Toulões". Também o Dr Jaime Lopes Dias, grande etnólogo idanhense, na sua obra "Etnografia da Beira" Vol.1, contou esta lenda do rapaz que foi levado por um enorme lobo branco. Tendo sido acossado pelos melhores caçadores da região, o seu esforço saiu debalde. Sendo depois invocado o nome de Santo António, advogado para as coisas perdidas, o lobo apareceu morto, tendo o desfecho desta história originado a celebração de uma festa em honra do santo que se repetiu anos a fio, mas que nos dias de hoje só se realiza intermitentemente.

Ambas de índole religiosa, e fervorosamente respeitadas por todos, estas lendas não tinham menos significado que as lendas das mouras encantadas que habitavam as fontes e outros lugares antigamente dados a outros cultos, considerados por vezes "perigosos".
Se nos lembrar-mos da influência que exerciam no subconsciente das pessoas, histórias, como as que se contavam à lareira sobre a Boa e a Má-hora, sobre os poderes malévolos dos cá-vais ou sobre as histórias de lobisomens que apareciam à noite nas encruzilhadas a quererem estropiar quem se lhes atravessasse no caminho e que deixavam os mais novos com arrepios na pele e o cabelo eriçado de medo, podemos adivinhar o poder destas mouras que não podiam ser "acordadas" no seu lugar de repouso, sob pena de o atrevimento desencadear uma supersticiosa desgraça.
É famosa em Toulões a lenda da Fonte do Corno-quebra, ali entre a Toula e as casas do arraial do Monte Velho de Baixo. O touro que se dizia guardar a princesa moura que lá vivia, deu grande ajuda ao guarda do montado, demovendo muita gente de à noite se acercar daquela zona, quando se aventurava pelo meio dos azinheiros na expectativa de conseguir surripiar uns alqueirzitos de bolota para ajudar na engorda do bacorinho ou até para vender, a fim de arredondar a jorna.
As histórias de que o touro teria em tempos encorrido alguns destemidos, surpreendidos a escavar nas traseiras da fonte em busca do tesouro ali guardado, mantinham o lugar a salvo dos ladrões de bolota.
Uma lenda semelhante contava-se acerca do Gorrão Branco, uma enorme pedra de uma variedade de quartzo, (meio leitoso, meio sílex ?), com forma arredondada tal qual um vulgar seixo rolado. Diziam os pastores e outras pessoas que faziam vida no campo, que é provavelmente a maior pedra desta família de rochas existente por aqui e que, inexplicavelmente, aparece apartada das restantes no cimo de um cabeço.
Em tempos idos, quando extensas e ondulantes searas de sementes brancas, principalmente centeio, cobriam a Murracha dando fabrico a terrenos mais agrestes, a alvura daquele pedregulho descomunal, sobressaía na paisagem.
Acreditava-se que a pedra servia de porta, assente sobre a boca de um poço, no qual vivia uma moura encantada que aí guardava um valioso tesouro, composto por uma grande quantidade de pedras preciosas que, em tempos imemoriais, lhe teriam sido oferendadas em noites de lua cheia, por almas que acudiam ao badalar melodioso de um sino de ouro, em busca da salvação eterna.
Dizia-se que quem conseguisse descobrir a entrada do poço teria acesso ao tesouro e poderia usufruir dele da forma que entendesse.
Ligado a esta lenda ficou para sempre o Sapateiro da Malhadinha.
Numa época em que os trabalhos escasseavam, e os trabalhadores eram justos sazonalmente, a profissão de sapateiro dava-lhe, não só algum sustento, mas também alguma independência. Era sabido que não gostava muito de trabalho, mas principalmente, do que ele não gostava era de quem mandasse nele.
Ainda novo, fez-se aprendiz na perspectiva de se estabelecer na arte por conta própria.
E assim foi:
Ganhou alguma fama ao ter-se dedicado a fazer botas de cano alto com duas carreiras de ilhós que eram tão do agrado das mulheres e que, se calhar, hoje fariam furor na passerelle da Moda Lisboa.
Mas um episódio rocambolesco com umas botas encomendadas pelo ti Mandonça, a serem feitas com rasto de um pneu, uma novidade que vinha substituir as solas cardadas, que nunca apareceu e que valeram ao homem a alcunha que nem eu aqui quero dizer, deitou tudo a perder.
O descrédito e concorrência feroz de alguns sapateiros já credenciados como eram o ti Zé Tomaz "Sapateiro", ti Chequim "Grande", e o ti "Ferro" e de outros que apareceram depois, levaram-no a abdicar.
Depressa teve de mudar a agulha. Ganhar a vida a coser sapatos, não dava para chegar a netos e trabalhar mandado não era seu propósito.
Apesar de nunca ter deixado completamente a profissão, era mais o tempo que passava no garimpo, lá pelas barrocas da serra, do que agarrado à sovela.
O frasquinho com as pepitas da sorte, amealhadas e guardadas religiosamente, bem mais lucrativas, valiam uma boa maquia paga pelo ti Catchapim, um velho ourives de Alcafozes que, a cavalo na sua motorêta com a caixa das jóias amarrada ao suporte traseiro, percorria as redondezas, de aldeia em aldeia, pouco ou nada preocupado com problemas de insegurança, coisa impossível actualmente, mesmo neste recôndito reduto.
Talvez levado pela febre do ouro, a notícia do achado, por um ganhão, de um pote com moedas de ouro ali por trás da Serra, já a dar vistas para Monsanto, e as histórias algumas vezes ouvidas aos mais velhos a respeito de outros acontecimentos semelhantes, trouxeram-lhe à ideia a lenda do Gorrão Branco.
Consultado o lunário perpéctuo e os astros, o Sapateiro tratou de arranjar a ferramenta necessária para dar medida à sua desmedida ambição, e, no dia escolhido, lá foi, sorrateiro, pelo caminho da Serra até ao sítio por muitos temido e por outros tantos desejado.
Ao fim de uma semana de trabalho intenso já tinha cavado um enorme buraco junto ao gorrão, mas vestígios do tesouro: nada.
O Mné Rijo, que também garimpava nas horas vagas, dirigia-se à Barroca das Bruxas onde guardava os atrafícios do trabalho complementar, e causou-lhe alguma perplexidade ao avistar ao longe um monte de terra a fazer vulto ao simbolismo daquela pedra. Abeirou-se para ver o que estava a acontecer e surpreendeu o espalhafatoso do sapateiro em plena actividade, já enterrado até ao pescoço. Um pouco incomodado por ter sido descoberto naquela prebenda, ainda tentou esboçar uma justificação, mas o Rijo que conhecia bem a medida da sua ambição, atalhou logo:
-
Se queres trabalhar p’ra aquecer devias era ir a ratchar lenha e acender um lazarete. O que aqui cavaste já dava p’ra abrires um poço na tu’ horta, que bem falta te faz.
O sonho do tesouro do Gorrão Branco morreu ali, mas para o Sapateiro da Malhadinha, a enorme pedra não deixou de constituir uma china no sapato.
De descrédito em descrédito, na sua persistência engendrava expedientes para fazer face às agruras da vida.
Notava-se que passava por dificuldades mas não lhe falassem em trabalhar, que ele acabava sempre por recusar.
Vinha o verão:
- Atão este ano no fazes um quinto? – perguntavam-lhe.
- Ná. Ainda tenho uns pares de sapatos para gaspear. Odepoi, lá mai pr’o Inverno, vou atão a zêtona.
Vinha o Inverno:
- Atão no era pra andares já à zêtona.
E ele respondia: – Ná, este ano no fui, mas pr’o verão vou fazer um quinto.
A história repetia-se ciclicamente.

INTÉRPRETE PARA FORASTEIROS


atrafícios; utensílios, ferramentas
cá-vai; o mesmo que noitibó
china; pedrinha
encorrido; escorraçado
estropiar; patear, espezinhar, estragar
fazer vulto; fazer sombra, fazer passar para segundo plano, causar estorvo
lazarete; grande lume, brazeiro
quinto; ceifa de empreitada em que a "paga" era uma quinta parte da quantidade ceifada.

sábado, fevereiro 24

6-2007: A Vaca Galhana

A Vaca Galhana
(clicar sobre o desenho para ampliar)
Como o prometido é devido, aqui deixo o complemento referente ao post anterior e, à falta de foto, uma tentativa de ilustração do acontecimento que mobilizava as gentes de Toulões nos dias de Entrudo.
.
Por entre uma infinidade de tradições carnavalescas que nos é dado conhecer nas mais diversas formas de divulgação, ou do conhecimento das tradições nas aldeias das redondezas, não há registo de nada que aluda à Vaca Galhana, que nos dias de Entrudo, tresmalhada pelas ruas do povo, investia à marrada contra tudo o que mexesse e balançava o seu rabo enchapoçado de água ou de lama, conspurcando a fatiota aos mais imprevidentes.
Pode mesmo considerar-se esta tourada trapalhona um acontecimento sui generis, que mobilizava toda a rapaziada (era uma brincadeira de rapazes), sendo diversos os que encorpavam o animal e se iam revezando. Alguns mais expeditos faziam gala em mostrar a sua arte no manobrar do engenho, símbolo de coragem e virilidade, enquanto outros mostravam os seus dotes a esquivarem-se do dito. Apesar do espalhafato que provocava e dos aparato que chegava a roçar a violência, tinha grande aceitação por parte de todos e era considerado o momento alto do Entrudo em Toulões.
Ninguém sabe quem é o pai da vaca. Sendo de origem desconhecida, pode dizer-se que o espírito que norteava o seu comportamento se assemelha ao dos Caretos, que, endiabrados, percorrem as ruas das aldeias Transmontanas. O nome advém, presume-se, da forma galhana (atabalhoada e mal composta), com que a vaca era manobrada no decurso deste insólito divertimento.
A Vaca Galhana era constituída por um par de varilhas, um par de cornos, que se guardavam de ano para ano, fixos solidariamente a uma das travessas (a que ficasse à frente), formando a cabeça do bicho. Os mais criativos penduravam um chocalho para assinalar a sua presença e para dar mais realismo à figura.
Na rabadilha atava-se um bocado de calabre, com um farrapo de saca na ponta, formando o tufo que constituía a ponta do rabo da vaca, considerado o elemento principal do arranjo, pois era dele, depois de bem ensopado, que dependia o sucesso das investidas.
Assim como por onde vai a agulha vai a linha, também por onde ia a vaca lá seguia o “rabejador ou aguadeiro” a fazer chegar o caldeiro do encharcado, para ensopar o rabo.
Como as ruas eram em terra, quando chovia, dispensava-se o caldeiro. Era nos charcos de água lamacenta formados no chão, que o rabo da vaca se enchapoçava e aqui o estrago mudava de monta. Para se proteger do seu próprio rabo, o manobrador usava uma saca pela cabeça, dobrada a fazer de capuz, que também lhe protegia as costas.

Contam os mais velhos que até princípios da década de 60, antes de se ter dado inicio à debandada, quase generalizada, da população mais jovem, na expectativa de encontrar noutras paragens melhores condições de vida, as ruas se enchiam de gente para correr a Vaca Galhana. Como naquela altura havia os partidos que rivalizavam entre si, aconteciam despiques que davam azo a que mais que uma vaca espalhasse a confusão pelas ruas, sendo, com alguma frequência, os encontros entre elas pretexto para ajustes de contas.
Diz-se que nesta ocasião no Entrudo se perdoa tudo, mas eram bastas as vezes em que o ditado não era seguido à letra.
Ficou célebre o episódio do Manhouvas, grande manobrador da Vaca. Deixando-se antecipar pelo Mné Ferrenho na hora de pedir namoro à Mari Blouca, vingou-se enchapoçando o rabo numa bosta com que as primas da Galhana costumavam perfumar o ambiente e lho deu a cheirar sem pedir licença. O Mné Ferrenho não foi de modas. Mais esperto, na primeira oportunidade retribuiu a delicadeza ao Manhouvas. Agarrou no caldeiro de vianda que a ti Catcheirinha tinha à porta, pronto a levar para a engorda do marranchito que tinha numa furda da malhadinha, e despejou-lho de chapeirão nas ventas.

Já houve que se lembrasse de fazer renascer a tradição, mas tratando-se de um divertimento que ficaria fora de contexto na época que corre, por em termos de higiene não ser o mais recomendável, a ideia não vingou. Visto com os olhos de hoje, as proporções de insalubridade e violência que atingia, parece desadequado, mesmo se às vezes punha em sentido a prosápia, a soberba e os afins.
Considerando as tradições como um dos principais factores de conservação dos laços de união entre filhos da mesma terra, também eu gostaria rever a Vaca Galhana, em moldes mais consentâneos com a nova realidade das aldeias, fazer de novo encher de gente as ruas de Toulões.
Temo, entretanto, que algum figurão, tipo político com ideias iluminadas que dá tiros no pé, se lembre de confundir o comportamento de vaca louca da Galhana com os sintomas da BSE e faça Toulões desaparecer de vez.

INTÉRPRETE PARA FORASTEIROS

enchapoçado; ensopado
encharcado; mistura pastosa insalubre
calabre;corda grossa e resistente utilizada para atar as carradas
marranchito; bacorinho
partido; grupo restrito de rapazes que organizava bailes privados, condicionando ou proibindo o acesso a elementos masculinos extra grupo, não convidados. Eram geralmente identificados pelo nome de um dos elementos com maior destaque ou pelo nome do tocador que animava esses bailes.
varilhas; armação feita com duas tábuas aparelhadas, unidas nas extremidades por duas travessas emalhetadas, que habitualmente eram utilizadas na peneira da farinha para o pão, apoiando-as nas abas transversais da masseira sobre as quais deslizavam duas peneiras geminadas num movimento de vai-vem.

sexta-feira, fevereiro 16

5-2007: Entrudo tchocalheiro

Malta dos tchouriços - 1982
O Entrudo sempre foi sinónimo de borga, pândega e folia desmedidas, perdendo-se no tempo a memória da sua origem.
Entrudo e Carnaval são duas palavras com etimologias diferentes mas que possuem o mesmo significado: o período entre o Domingo da Septuagésima e a Quarta Feira de Cinzas
O termo Entrudo terá origem na palavra "introitus" que em latim significa entrada, conotada com as festas Saturnalias que comemoravam o recomeço de um novo ciclo da Natureza, mãe de todas as coisas.
Entretanto, para o termo Carnaval parece não haver unanimidade de opinião quanto à sua origem. Para alguns deriva de "carnevalemen", (o prazer da carne); para outros terá surgido do latim "carnevale" (adeus carne), ideia reforçada pela cultura cristã que aparece a impor a celebração de um período de abstinência entre o Entrudo e a Páscoa a que se deu o nome de Quaresma.
Há ainda quem defenda que é proveniente das manifestações Gregas em honra de Dionísio, deus do vinho e da inspiração, nas quais o "carrus navalis" era o carro que transportava uma enorme cisterna com vinho para dessedentar os foliões que, depois de bem bebidos, cometiam os excessos "carrus navalescos" (digo eu).
O verdadeiro e genuíno Entrudo à nossa moda, à Portuguesa, provocador, desordeiro, onde a falta de respeito era tolerada até ao limite da paciência, do qual, por aqui, já pouco resta, foi destronado pelos hábitos telenovelescos com rainhas brasileiras ou abrasileiradas que, de corpo ao léu, abanam freneticamente as bundas ao ritmo do samba, nos corsos que percorrem as ruas das cidades do litoral sob a capa do desenvolvimento turístico.
Aqui por Toulões e demais povoações do interior, aliada ao despovoamento, a tradição do Entrudo foi-se perdendo, dando também lugar a uma inspiração moldada pelo modelo carioca e fomentada pelo facilitismo do acesso ao comércio dos 300.
Já lá vai o tempo das carantonhas feitas com uma renda roubada ao telhador do asado, que punha as calhandreiras, curiosas, a conjecturar e a especular sobre quem encorparia aquele traje de disfarce, constituído por uma roupa velha qualquer. E faziam-se apostas para ver quem conseguia percorrer as ruas da aldeia sem ser reconhecido.
Hoje qualquer conjunto de máscara horrorosa e fato a condizer, se adquirem nas lojas chinesas, mas que não valem uma "pêrra-tchica".
Era o tempo das cacadas, com vasilhas de barro roubadas dos quintais e muitas vezes despejadas do seu conteúdo. Com alguma malvadez inconsciente se vertiam as azeitonas, que tanto trabalho deram a colher e estavam agora a adoçar já quase no ponto de servir de conduto em muitas refeições, para levar a talha pela calada da noite, que oportunamente se iria estchabaçar no lajedo da entrada de uma casa cujo dono tivesse calhado na rifa dos entrudos.
Era também o tempo das batalhas com as inofensivas charingas de cana com que os garotos se borrifavam com jactos de água; com os pestilentos "ovos tchocos" que deixavam um cheiro entranhado na roupa não havendo sabonária que o desalojasse. Havia ainda a batalha das laranjas (laranjada) que tantas vezes deixava as raparigas com nódoas negras nas costas que, por essa razão, felizmente há muito desapareceu.
Desapareceu também a vaca-galhana que era o ex-libris do Entrudo em Toulões e que será objecto do próximo post.
Era também o tempo das zurras e das tchocalhadas, em que os jovens percorriam as ruas a tocar chocalhos e caldeiros, numa arruada de algazarra e desassossego que incomodava meio mundo, satirizando e ridicularizando o outro meio, parava à porta de quem durante o ano tivesse dado motivos para pertencer ao outro meio. Bastava não cumprir com os preceitos impostos pelos foliões.
Do tempo em que se apanhavam cães na rua, se lhes atava uma lata ao rabo e untava o cu com malagueta. Era vê-los fugir da lata rua afora, caim-caim, com o fogo atrás como um foguete e a lata a bater no cu. E quanto mais o cão fugia mais a lata no cu lhe batia.
Já lá vai o tempo em que no Domingo Gordo, à laia das janeiras, a rapaziada percorria as ruas do povo a "pedir os chouriços" de porta em porta. Cantavam-se umas quadras ao toque da concertina …
Ó senhora cá da casa
Chegue-se aqui à janela
Venha dar-nos um chouriço
Uma moura ou morcela.

E ai de quem se negasse a não recompensar este esforço dos rondistas, com uma peça do fumeiro, de preferência o "tchourcito" da ordem, mas um pão ou um pichorro de vinho também eram bem vindos para ajudar à comesana, que antecedia o "adeus à carne" num jejum de quarenta dias.
Com essa falta, uma cacada com cinza era quase certa ou então uma zurra à porta, ainda maior que a de ter deixado cair o porco do banco no dia da matança.
Por falar em matança, uma tradição de grande autenticidade e ainda fortemente enraizada nos hábitos da população é a de, no dia de Entrudo, se comer a bexiga dos ossos que, ao que parece, e fazendo fé no que vai constando, qualquer dia também desaparece por se estar a tentar proibir a matança do porco.
Seja como for, Entrudo ou Carnaval, será um acontecimento que continuará, ainda que de forma ténue, a marcar uma época do ano por estas terras.
Naquele tempo, todo este excessivo reboliço era tolerado pelo sistema de poder num manifesto abrandamento do exercício da autoridade, que parecia sempre mais atenta a comportamentos político-sociais que a manifestações festivas ou de divertimento.
Uma festa de liberdade, onde tudo é permitido e onde preceitos e bons costumes ficam esquecidos, o Entrudo, durando apenas três dias, acaba na Terça-feira à meia noite, morto à queima roupa, com tiros de caçadeira disparados pelos caçadores dos Toulões.