segunda-feira, junho 2

ROSA D' ALBARDEIRA


Rosas d’ albardeira *(Paeonia broteri)

Esta belíssima flor, que alguns classificam de ornamental, desejada como planta de jardim, é, na verdade, muito melindrosa e pouco dada a manipulações e transladações para fora do seu habitat predilecto. Talvez por esta razão a sua sobrevivência se encontre ameaçada.
Se em tempos idos, antes da capitulação da agricultura tradicional que deixou os terrenos por amanhar, a criar mofedo daninho,  e das alterações climáticas (principalmente as secas agressivas) destruidoras do ecossistema do montado, eclodia espontaneamente sob o folhado que coalhava debaixo de cada azinheiro. Por aqui, hoje apenas se pode encontrar na Morracha em lugar restrito e de bem difícil acesso.
A sua efémera floração ocorre na Primavera em período das festividades por cá celebradas (Senhora do Almortão, Senhora das Cabeças, São Domingos), o que fazia desta flor invulgar uma planta de quase culto, respeitosamente colhida para decorar os andores dos santos protectores ou enfeirar os arcos das carroças, engalanadas por ocasiões de ida do povo às romarias.

Nota: As fotografias que constituem este slide show foram tiradas em períodos diferentes durante a floração da Rosa-albardeira nos anos de 2012, 2013 e 2014.


* As características científicas da Rosa Albardeira (Paeonia broteri) podem se vistas aqui (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paeonia_broteri)

terça-feira, dezembro 24

BOAS FESTAS


Um Feliz Natal a todos os que, apesar da manifesta falta de sinais de vida neste espaço, continuam a vir aqui à procura de novas.

sábado, abril 13

Sra do Almortão - Uma questão de fé



Uma questão de fé

: firmeza ou pontualidade na execução de uma promessa ou de um compromisso. Lealdade. Boa reputação, crédito. Convicção. Confiança. Veracidade. Crença religiosa, religião.
In: Grande Dicionário de Cândido de Figueiredo

sábado, março 23

Memórias curtas 16: Toulões - Encomendação das almas


TOULÕES - Encomendação das almas

A tradição dos cantos devocionais da Quaresma/Páscoa, retomando a ritualidade legada por gerações anteriores, foi reatada há poucos anos em Toulões após um longo período de interregno.
Um grupo de mulheres, trajando vestes de luto e portando candeias, percorre as ruas da aldeia todas as sextas-feiras à meia noite, ás vezes enfrentando o frio e a chuva, pára nas encruzilhadas dos caminhos de saída da povoação para encomendar as almas aos mortos em viagem, com um solene cântico marcado por uma lugubridade de arrepiar.
“Dantes, quando era garota, já estava na cama e até ficava com couro de pita de as ouvir cantar na rua.”

Esta tradição, parte integrante do importante património imaterial que são os Mistérios da Páscoa de Idanha-a-Nova, foi esta noite levado por estas mulheres ao palco do Fórum Cultural da vila.