quarta-feira, setembro 21

Sinais do outono


Este repetido "adjunto" de andorinhas, que no últimos dias de Agosto se verifica nas encruzilhadas  aéreas, que desordenadamente se cruzam sobre as ruas da aldeia, é bem o prenúncio de que o Verão está de "cambecas". Um Outono anunciado.

quarta-feira, julho 20

DITOS E DITADOS


Se o abíbaro visse e o bitcho-matcho ouvisse, 
não havia mundo que resistisse

domingo, julho 10

LUTA DE GALOS

Em pleno "Stade de France", numa luta de galos (Coq Français x Galo de Barcelos) pelo poleiro mais alto do Euro2016,  .... o verbo vencer conjugou-se com o esplendor dos verbos querer e abnegar.

domingo, junho 26

SÃO JOÃO de TOULÕES


São João p'ra ver as moças
Fez uma fonte de prata,
As moças já lá não vão,
São João todo se mata.

As fogueiras de São João, costume vivido intensamente em tempos em  que na aldeia fervilhava juventude  para as “salvar”, eram acesas seguindo um procedimento quase ritualizado, dada a crença nas benéficas propriedades acéticas do defumadouro proporcionado pela queima do “rosmano” ainda verde.

O espírito da celebração mantém-se intacto, mas os participantes de hoje, “meio quebrados”, são participativos quanto baste.

quinta-feira, abril 28

segunda-feira, abril 25

ABRILADA



Em Abril, militares mil
Sem bala, pólvora ou espoleta
Marchando ordeiros, a mando civil,
Fizeram do cravo a baioneta

O povo, sereno, empunhou a caneta
Com um traço cortou a mordaça
E de felicidade, a alma repleta,
Há gente que na rua se abraça

Que a democracia se faça
Impere a justiça e a verdade
Há uma fornada que se amassa
Com o fermento da liberdade

Amadora, 2016

quarta-feira, abril 13

FESTA DA ROSA ALBARDEIRA

PROGRAMA

Para os menos familiarizados com a Rosa de Albardeira (aqui) deixo o link de um post publicado anteriormente. Um filme com algumas imagens do ciclo da floração desta belíssima flor

quinta-feira, abril 7

Sra do Almortão



Senhora do Almortão
Quem Vos pôs a Vossa coroa
Foi o povo da Idanha
Gente pura, gente boa

sábado, dezembro 19

VIVÓ MADEIRO, QU'INDA ESTÁ INTEIRO


O Madeiro, tal como manda a tradição em Toulões e em todas as localidades, tanto do concelho de Idanha como dos concelhos limítrofes, já está no adro desde o dia 8 de Dezembro. Acamado e composto, à espera da noite da consoada para aquecer o ambiente natalício, está pronto para ser apichado com o mesmo entusiasmo com que a canalha se atiçava a ele nas vésperas do Natal.
À semelhança destes últimos anos, no dia em tempos ansiosamente esperado pelos mancebos, a quem competia arrancá-lo, fazendo-o com o maior dos regozijos, foi trazido do montado pela junta de freguesia. Esperado à entrada do povo pela população, em cortejo alegórico foi acompanhado pelas ruas até local da queima.

A origem deste evento perde-se no tempo. Já em 1885, Teófilo Braga, no seu livro «O Povo Português nos Seus Costumes, Crenças e Tradições», o descrevia assim:
«Na noute de Natal, na Idanha-a-Nova, é costume queimar-se o Cêpo, como na Covilhã e em Trás-os-Montes: "Três semanas antes, ou um mês, da noite de 24 de Dezembro, vão ao campo buscar o madeiro, que para este fim se acha já cortado, sendo quase sempre escolhido para elle uma das árvores mais corpulentas. Se o carro quebra, ou os bois cansam, vão outros buscá-lo, e por último conseguem trazê-lo com acompanhamento de chulas e descantes até ao sítio em que deve ser queimado, e onde o descarregam, saudando-o nessa ocasião com um prolongado vito! Deste modo deitam mais dois ou três nos adros de diferentes igrejas. Chegada a véspera do Natal, logo ao cerrar da noite lhes largam o fogo, e depois começam a malhar neles para ver quem tira a maior lasca, e cada uma que se despede é de novo festejada com um vito! por quantos se acham presentes. ..

 Foto retirada daqui:  cm-penamacor



Se nalgumas povoações a custo se consegue por o madeiro na aldeia, outras há em que, por desígnio de “avivar a chama da tradição”, a população se mobiliza e com alegria festiva junta lenha numa pira cada vez maior ano a ano.
É o caso do Madeiro de Penamacor, no concelho contíguo ao de Idanha.
A fama ganha por ser divulgado à escala nacional como sendo o maior do país, traz a esta já designada de “Vila Madeiro” algum provento do ponto de vista turístico. Dado o sucesso da iniciativa, numa atitude de pretender criar mais-valias, o Município candidatou, junto da UNESCO, esta tradição secular a Património Cultural e Imaterial da Humanidade.
No sentido de reduzir o isolamento geográfico, partilho da opinião que todos devemos apoiar esta candidatura, mas que, a ser aceite, o seja pelo que simboliza o Madeiro do Natal para as populações onde esta tradição está enraizada e não pela ostentação de uma grandeza que chega a assumir foros de alarvidade.

VOTOS DE 
BOAS FESTAS 

domingo, novembro 29

Ditos e ditados - CLIMA


Outono, Inverno, Primavera, Verão
Parecem todas a mesma estação

(Slogan ambientalista)

quinta-feira, novembro 12

O Outono



O Outono…

As folhas com os matizes
Da paleta dos pintores
São tintas, são vernizes
É a morte toda às cores

São na relva o esplendor
São uma beleza reflectida
São um rufar de tambor
São uma alegria incontida

As cores dão vida à vida
Deste campo ao abandono
Cada folha morta caída
Dá mais vida ao Outono

Toulões, Outubro de 2013

quinta-feira, novembro 5

Tradição

Tenho em mim que aquilo a que chamamos tradição, elemento aglutinador de vontades e empatias entre defensores activos dos nossos usos e costumes, das nossas memórias e outros valores identitários da nossa cultura, que vão sendo deixados em testamento à geração seguinte, já não é o que era.
Com o passar do tempo, tudo muda.
Até a tradição, elemento de ajuda à projecção do futuro, por estes dias invocada em vão pelos pretendentes ao “trono” parlamentar, incluindo os que consideram a preservação das tradições um acto retrógrado, já serve de argumento político para disputas partidárias. A provar que a tradição se define pela espontaneidade genuína do povo, os seus eleitos no Parlamento organizaram, para animar as hostes, já para dia 10, um magusto de São Martinho a ter lugar na casa da democracia. Não faltará certamente o jogo do pau e a não menos tradicional castanhada: não há nada como servir uma moção de rejeição ao governo, recheada de umas punhadas do bom fruto da Terra Fria e generosamente regada com água-pé, cuvée reserva especial, estagiada em fundelho de pipa de quatro almudes (mordomias).
E para resto de festa, como também pede a tradição, lá estarão os cantares ao desafio e o bailarico saloio, com despique entre bailarinos do governo e da oposição, ambos com o vezo do passa-culpas, a ver quem se livra do ridículo de ficar a dançar com a vassoura.

Bom, mas deixemos os tradicionalismos politiqueiros.
Por estes dias a tradição foi outra: o Halloween, ou Dia das Bruxas, que na noite de Sábado passado, aproveitando a minha ausência, se fez cumprir com artes de pasteleiro francês, enfeitando-me a porta com farinha para brioche.
De origem celta, pelo que consta, adoptada pelos países anglófonos e fortemente arreigado lá pelos States, chegou a Portugal há alguns anos, importada ao abrigo do acordo comercial para a chinesice com a promessa de fortalecimento da economia resultante do depauperado tecido produtivo português. Paradoxalmente escolheu dia 31 de Outubro, Dia Mundial da Poupança, para assentar arraiais com o sentido primeiro de rapinar a carteira aos aderentes mais modernistas, foliões de um carnaval antecipado, e aos pais da garotada que agora nas escolas é instada a aderir a esta pretensa tradição, colocando nela mais empenho que no acto subversivo e pouco patriótico de aprender a trautear o Hino Nacional. A miudagem, enfeitada a preceito com adereços horripilantes, calcorreia de porta em porta num peditório com finalidade plausível: “Doçura ou travessura”?
Em Toulões, o peculiar peditório cerimonial do Dia de Todos os Santos, “Pedir a Bica”, semelhante ao de algumas terras do concelho de Idanha, e limítrofes, em que é designado por "Santóro", ou "Pedir o Santóro", está praticamente resoluto. Não por influência do Halloween, também a tentar sem grande sucesso alastrar ao recôndito beirão, nem pela abolição do feriado de 1 de Novembro, mas pela acentuada desertificação do interior que acabou com a canalha (gaiatada).
O “Pedir a Bica” levava os afilhados (quando ainda os havia) a receber a bênção dos padrinhos. Entrava-se, dava-se solenemente a salvação e recebia-se a benzedura ministrada pela madrinha. Largava-se um bem-haja murmurado e recolhia-se o ofertório: um sarrão sortido com fruta da época (marguédas (romãs), marmelos, dióspiros), umas passas de figo cuidadosamente capadas e enfarinhadas, tudo a acompanhar a gulosa bica de azeite, feita em observância com o tradicional evento. E sortudos eram os que, a acrescentar ao rol, se viam prendados com duas ou três coroas, invariavelmente destinadas a investir no mágico despoletar do berlinde no gargalo do pirolito.
Aos mais velhos, pouco dados a modernices, o globalista Dia das Bruxas nada diz. No entanto, guardam na memória a imagem de um elemento que caracteriza este novo costume invasor: a botelha (abóbora) rectro-iluminada, que dantes aparecia à noite nas encruzilhadas, com origem sabe-se lá de onde, para afugentar a má-hora. Por certo, bem útil seria no próximo dia 10 para cumprir a ambivalente função de servir de assador de castanhas e proteger o povo dos maus presságios.

sábado, outubro 3

DITOS & DITADOS - Vamos a votos?

É cíclico.
Em tempos de campanha eleitoral, os candidatos de cada um dos partidos, aperaltados como manda o redundante e estereotipado marketing político, dirigem-se ao povo que os elege com a mesma estratégia comercial com que uma qualquer marca de um produto de consumo imediato publicita a sua última novidade.
Muita espampanância, muita artificialidade, ...

É caso para dizer:

Aperalta-te tranca para pereceres uma santa.

sábado, maio 16

DITOS & DITADOS - Xaropada

Há dias, para explicar o processo de cura do país, gravemente afectado por essa doença que dá pelo nome de crise, o nosso primeiro ministro, quase a meter os pés pelas mãos, utilizou a metáfora da terapêutica em modo popular. Fosse ele de Toulões e com uma frase curtinha estria tudo dito:
- QUEM SE CURA NÃO SE REGALA.

terça-feira, dezembro 30

FELIZ ANO NOVO


Sai o velho, entra o novo
E neste quadro de mudança
Valem os festejos do povo
A fazer brilhar a esperança

domingo, julho 27

DITOS & DITADOS - Quadra

Silveira no Ribeiro de Cunha (ao Raposo) - 2013

O Rosmaninhal se queixa 
De não ter moças formosas
Vinde à aldeia de Toulões
Onde até as silvas dão rosas

(Popular de Idanha-a-Nova - adaptado)