terça-feira, março 16

8-2010: Frandesca


É verdade, o trabalho mata
Mata a fome, mata o tédio
Mata. Dá saúde e mata
Mas trabalhar, que remédio

Sorte a de quem trabalha
A de quem a horas come
Sorte é ter uma navalha
E com ela matar a fome

Na casa onde tudo ralha
Por não ter que manducar
Sempre que o trabalho falha


Quando se a fome quer matar
Para que serve uma navalha
Se não há pão que anavalhar

Toulões, Setembro de 2009


5 comentários:

MPS disse...

Poderá cortar prá sopa
A galega, bela couve:
Levada do lume à boca
Não há deus que a não louve!

Um abraço e obrigada por me ter feito rir com a ironia deste seu soneto.

Meg disse...

Chanesco,
Acabei de dar conta do teu regresso, e pelos vistos atrasada.
Mas volto logo, logo para te ler...
Por agora... um beijo

Joaquina Silva Celestino disse...

Mas será que quem trabuca
O pão ele vai manducar?
Vai-se-lha vida na luta
Forças nem tem p'ra ralhar.

«Vezinho» Chanesco : Gostei do soneto e daquilo que ele transmite!!!
«vesitas »
Xquina

as-nunes disse...

Grande poeta é o Povo!

E, as mais das vezes, com lições de vida bem instiladas nos respectivos versos!

Abraço amigo

António

karraio disse...

Ainda vamos tendo pão para anavalhar. Também ainda vamos tendo que ralhar. Haja trabalho que nos mate.